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San Blás (Panamá) maio 25, 2013

Filed under: Panama — alemarcolino @ 4:45 pm

De Bocas fizemos uma parada para pernoite na cidade do Panamá, sem tempo para conhecer nada. Foi a primeira e única noite em um hotel, pois no albergue que previmos não havia nem “meia vaga”, uma vez  que o chão da sala já continha 3 turistas e o sofá, mais dois. Como não fizemos reservas, procuramos o hotel mais perto e morremos em 50 dólares por persona. No dia seguinte, já as 5 da manhã, estávamos no saguão e descobrimos que o carro passara dez minutos antes no procurando. Como a atendente do novo turno não sabia de nada (falha na “passagem do serviço da anterior”), não nos avisaram. A sorte é que tinhamos o telefone do motorista e ele retornou para nos pegar. Consequência? Nos sobraram os lugares mais apertados. Assim fomos até o porto para San Blás.

Por indicação do colega Carlos Dias, escolhemos San Blás como parada obrigatória. As descrições de outros mochileiros já nos colocara neste rumo, mas as fotos que o Carlos mostrou foram o que faltava para saber que estávamos no caminho certo. Como o trajeto até lá é complicado (não há ônibus de linha nem barcos regulares), contratamos um pacote com uma agência. Pagamos 200U$ por 4 dias e 3 noites, com translado Panamá City – San Blás – Panamá City, hospedagem em cabana simples, e 3 refeições por dia.

As 5 da manhã, pontualmente, o carro chegou. Nos apertamos (novidade) com mais 4 turistas e partimos para o litoral, chegando após 4 horas. A viagem não foi ruim, sendo a maior parte em pista de asfalto, com direito a pedágio improvisado por estarmos adentrando uma área indígena.

Porto (ou seria ponto) de embarque para a ilha Ina

Porto (ou seria ponto) de embarque para a ilha Ina

O tempo ainda não havia melhorado e tratamos de colocar nossas capas de chuva para a segunda parte, que viria a ser a mais problemática. A partir daí, foi só perrengue. A chuva apertou, não se via nada, o barco (pequeno que só) balançava para todos os lados, as ondas vinham, o barqueiro tentava cortá-las, às vezes com sucesso, outras nem tanto. E tome água por todos os lados. De cima (chuva), de baixo (barco alagando) e dos lados (ondas chicoteando). Chegamos ao ponto de nos esconder dentro das capas e esperar pelo pior. Que quase veio. Em um momento de leve cochilo, o barco deu um solavanco e eu acabei batendo no Victor que quase voou pra fora do barco. Depois disso, a adrenalina subiu e não teve mais cochilos. Não contabilizamos, mas devem ter se passado umas 5 horas pra chegar (pelo menos foi esta a impressão). Provavelmente era a última ilha do arquipélago.

Nosso barco chegando

Nosso barco chegando para nos pegar.

Ready? Don´t think so.

Ready? Don´t think so.

San Blás é um conjunto de ilhas localizadas na comarca Kuna Yala, pertencente aos índios da tribo de mesmo nome. A comarca vive (unofficially) à parte da administração do continente. Uma vez dentro de seu território, paga-se taxas para tudo. E a grana fica com os índios. Se há algum problema por lá, eles mesmo resolvem entre si.

Conflitos à parte, as ilhas normalmente pertencem a famílias tradicionais dos índios (e em alguns casos uma ilha é dividida territorialmente entre mais de uma família) que exploram este turismo. Você paga, eles te hospedam em suas cabanas e lhes preparam comida. Também oferecem passeios para outras ilhas, claro, pagando um extra para as outras famílias. O serviço é literalmente no estilo “you get what you pay for”. Por aí vocês já tiram como foi nossa ilha no estilo mochileiro muquirana.

Nossa casa por 4 dias

Nossa casa por 4 dias

comércio local

comércio local

Nosso paraíso, ou melhor a ilha da família Ina, era bem simples e pequena. Em 10 minutos caminhando completamos a primeira (de muitas) voltas completas pela área. Além da família Ina, haviam mais duas que dividiam o local. Cada uma com seus hóspedes e suas responsabilidades (?!). Nos era permitido caminhar entre elas, mas nadar NÃO. Na primeira tentativa de mergulhar na praia do vizinho fomos advertidos que para nadar lá, “tem que pagar”.

A família Ina era muito relax. O seu líder, que chamávamos de Ina também. Ele dormia cedo, acordava tarde, passava o dia na rede e raramente era visto pegando no pesado. Sua(s) esposa(s) é que fazia(m) tudo. E os filhos, bem, os filhos passavam o dia a se “milanezar” na areia. A nós nos restou acordar, comer, nadar, descansar, ler, comer, dormir, acordar, ler novamente, comer mais uma vez, beber, ler, dormir novamente, etc. Por 4 dias. Pode parecer monótono, mas o que fez a diferença é que a cada dia o sol, o céu e o mar se apresentavam diferentes, mais belos, mais relaxantes. Aqui foi onde realmente descansamos e recarregamos as baterias.

acordar...

acordar…

nadar

nadar…

caminhar...

caminhar…

descansar...

descansar…

ler...

ler…

nadar novamente

nadar novamente

dormir

dormir…

descansar novamente...

descansar novamente…

...e curtir o por do sol

…e curtir o por do sol

Apesar do mau tempo no primeiro dia, os dois dias que se seguiram fizeram valer a pena o perrengue. O que mais aconteceu não dá pra escrever, apenas mostrar.

...

...

...

...

...

...

...

...

!!!

!!!

:)

🙂

No final do último dia, um destaque para o por do sol…

...

...

Os dias valeram para colocar as leituras em dia. Tanto meu livro da história da guerra da Nicarágua, quanto Victor e Henrique em seus respectivos Guerra dos Tronos II e I. Até tentei iniciar esta leitura, mas os livros estavam concorridos e fiquei de fora… eheheh.

Foto do dia:

Quando voltamos ao continente, percebemos que a chuva que pegamos na ida tinha estacionado no litoral, provocando grandes estragos na já precárias estrada de chão. Óbvio que ao chegarmos o nosso carro não estava lá. Tive que desenrolar uma ligação telefônica do celular de um funcionário do porto e contactar a empresa. Em uma hora chegou um outro motorista. Vale uma observação: entender o espanhol local, falado de modo corrido, já é difícil. No celular, pior ainda.

Quem ia no que que nós voltávamos, também passou apertos

Quem ia quando nós voltávamos, também passou apertos.

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